As vezes, quando você espera por um milagre…você consegue dois!

Nossa história começou em 2013… na época das festas de fim de ano fiz meus exames,  comecei a tomar ácido fólico, suspendi o uso de pílula..

Em 2014 compramos uma casa maior! E o quarto ao lado do nosso nunca foi decorado. Era o “quarto do bebê” que esperávamos que chegasse em breve…

Quando 2015 chegou já sabíamos que algo não ia bem… fizemos os exames para descobrir porque não engravidávamos, mas tudo estava aparentemente normal… foi aí que meu caminho cruzou com a da Mari (Dra.Marianna Pedroso)… nesse ano ela me acompanhou em rastreios de ovulação, induções de ovulação e coito programado… sem sucesso!

No início de 2016, fizemos nossa primeira Fertilização in vitro (FIV)… Mas não conseguimos engravidar! Dois meses depois fizemos a segunda FIV, e finalmente engravidamos… tive sangramentos em todo o primeiro trimestre, com ultrassons marcados por intensa ansiedade e alívio ao ouvir os batimentos do coração do bebê! Com 13 semanas chegamos animados para o Ultrassom Morfológico de Primeiro Trimestre, até que Dra. Marianna nos mostrou que a  vida não seguiria nossos planos, nosso Bebê tinha uma malformação grave, que não permitiria uma vida pós-natal saudável e longa… E conforme o esperado perdemos esse bebê algum tempo depois… 

Passada a fase mais difícil do nosso luto, em 2017 reiniciamos nossa jornada e até o primeiro trimestre de 2018 fizemos 4 outras FIVs e algumas transferências de embriões congelados… sem sucesso.

Ainda sem explicação para a nossa infertilidade tomamos a decisão de trocar o material genético, com esperança que isso nos traria nosso Bebê tão sonhado. E iniciamos uma jornada pela busca de embriões doados (casais que já tem sua família completa as vezes doam os embriões excedentes para que outros casais possam realizar o sonho de serem pais).

Em 2019, próximo ao meu aniversário de 37 anos, havíamos acumulado: 6 FIVs, 17 embriões nossos, 6 embriões doados, uma perda tardia, alguns abortos, nenhum bebê em casa…

Decidimos procurar um programa de Surrogacy (barriga de aluguel) no leste europeu… os programas recrutam mulheres para gestar e outras para doar óvulos… dessa forma eles dão garantia de entrega de um Bebê saudável (por um não tão simbólico valor). 

Numa reunião de família comuniquei a todos a decisão… minha família é muito próxima, e todos estavam muito envolvidos com os tratamentos. Depois de explicar a questão de ter o útero de substituição + óvulos disponíveis minha prima perguntou: Mas qual o problema dos seus óvulos? E eu não sabia responder… ninguém sabia responder… 

Então, minha prima (temos um ano de diferença somente, e quando pequena dizíamos que éramos primas gêmeas) falou que se o problema era um útero,  ela podia resolver…

E voltamos à pergunta: mas e os óvulos? Será que teríamos bons embriões?

E lá fomos nós para a 7 FIV, enquanto eu tomava a medicação para induzir o crescimento dos folículos a minha prima tomava remédios para preparar o útero para a transferencia… tivemos somente 3 embriões evolutivos e resolvemos transferi-los logo, com medo que nenhum desse certo (afinal tinha a minha idade, a qualidade dos embriões, o não saber aonde estava o problema)… no dia do primeiro exame para confirmação da gravidez, susto… um BHCG muito alto pro primeiro dia e quadruplicando a cada 2 dias…

Duas semanas depois e ouvimos dois corações (nesse momento o meu quase parou)… 

Eu morando em outra cidade, mas minha prima pertinho da Dra. Marianna. Já pedi (e consegui!) para ver minhas filhas nos finais de semana e feriados… Mari acompanhou e torceu pelas meninas a cada ultrassom… 

Com 36 semanas e 3 dias, por causa do crescimento restrito em uma das meninas, no dia 23/03/2020 , fomos pra maternidade eu, meu marido, minha prima e o marido dela… 

Cecília chegou com 2190g, Elisa com 2460g. Saudáveis e incrivelmente fortes! 

O caminho foi longo, precisamos de ajuda (muita) da Medicina, precisamos de amor (muito) para que alguém doasse seu tempo, seu útero, sua saúde para gerar as minhas filhas… 

Aprendemos sobre paciência, sobre resiliência,  sobre o poder do amor e da família de mover o mundo!!! Obrigada a todos os envolvidos!

Lindo depoimento da Dra. Maria Clara B. Alves

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